; onironauta

Tuesday, August 03, 2010

Despertador, banheiro, café, banho e metrô. Eu nunca gostei de manhãs. Depois que tu apareceu, as coisas só ficaram mais difíceis. É difícil ouvir o despertador, levantar da cama, abrir os olhos, encarar o sol na janela. "Cauê, fecha essa merda." Eu funciono no piloto automático e quando olho ao redor, já estou passando a catraca do metrô lotado.
Eu sempre desperto nessa hora. Meus olhos passeiam inquietos pela multidão, procurando um sinal seu. Qualquer magrelo alto e cabeludo me gela o sangue. É um bom exercício pra despertar.
É exaustivo saber que tu existe e te procurar o tempo todo. Eu não tenho um segundo de descanso, vivo toda arrepiada em alerta. Eu tô um bagulho. Meus nervos não respondem mais, meus dedos cheiram à fumaça e eu não suporto mais a luz do sol. Passo o dia inteiro querendo ir pra casa me jogar na cama. Pelo menos ali eu sei que te encontro.
Eu não vivo uma vida miserável. Eu gosto de tudo o que tenho e não acho que preciso de nada que não tenho. Eu apanhei pra chegar aqui, mas hoje eu ando com as minhas próprias pernas. Eu pago as minhas contas. Eu escolho as minhas amizades. Eu desenho o que eu quero na minha pele. Eu invento os amigos que sabem me escutar.
Te procurei tanto que nunca imaginei que tu já tava ali, em casa, sentado na minha cama socializando com meus amigos imaginários.
Tu já fazia parte da casa, do cenário, da rotina e dos dias. Eu reclamava todo dia do metrô e das pessoas e do desgaste que os dias me causavam. Achei que tu era meu amigo. Mas tu já tava ali, pela sala toda, sem eu nem precisar trazer.

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