A cortina batia violenta contra o vidro da janela. Eu cobri a cabeça.
- Cauê, fecha essa merda.
- Fecha você. Nunca vi colocar a cama na sala. Idéia de doida.
- Tu bem que gosta de fumar nessa janela depois de me comer. Fecha a janela, Cauê. - eu tentei pedir com jeitinho. Tentei.
Ele levantou. Eu sempre pedia pra ele fechar a janela quando já era de manhã. Fazia de propósito. Eu gostava de assistir a silhueta esquálida dele contra a luz da cortina, fingindo que dormia. Eu sempre sorria que nem tonta. Ele fechou a janela, puxou a cortina com violência e pulou na cama por cima de mim.
- Obrigada.
Aninhei meu nariz ali, na curva entre o pescoço e o ombro ossudo e voltei a dormir.
Eu o desejei tanto que eu não sei nem dizer que parte foi sonho e o que eu inventei. Eu quero não precisar dormir pra te ver de novo.
Eu não te quero assim, te quero de verdade.
Chega de discutir contigo a noite toda e acordar te procurando na cama. Eu não preciso de mais assombração. A casa tá cheia.
Reclama mesmo que eu te faço levantar toda noite de propósito pra fechar a merda da janela. Reclama mesmo que as coisas estão todas no caminho e tu não enxerga nada quando acorda. Me chama de preguiçosa, me chama de espaçosa, me manda tomar no cu. A casa é minha, Cauê. Ela não seria casa sem tu aqui.
Tu vem me ver todo dia, fecha minha janela, me dá um olhar, um sorriso e dorme com o braço ao redor da minha cintura. Mas eu sempre acordo sozinha e com a camiseta amassada.
Eu só queria que tu ficasse. E foi assim que eu comecei a te procurar.
; alucinação
Monday, July 12, 2010
posted by tally at 1:11 AM
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