Monday, February 15, 2010

essa vida é medida em coisas que a gente carrega nos bolsos e pessoas com quem poderíamos ter casado. eu acordei um dia e meu rosto estava coberto de teias de aranha. era como se elas estivessem lá já a muito tempo, sem eu perceber. o céu ficou cinza, as ruas molhadas e vazias. ninguém sabe o que o dia traz consigo. espio o relógio, ainda tenho tempo.
a memória fica, como poeira na cortina, meio amarelada. uma coisa que já foi nova e bonita. penso em sol, no calor que eu segurava entre os dedos. como o toque das pontas dos teus no meu rosto de manhã, sensação que virou memória. que nem a poeira da cortina.
o que eu sentia. butterflies in my stomach, ódio, sorriso, insegurança. eu sinto falta de sentir qualquer coisa. só sentir.
tem as cartas e as fotos. os restos do que já foi como reinos que saíram do nada e agora sou só eu em cima da montanha, com preguiça de descer. não tem pra onde ir, anyway.
livros se empilhando na mesa, eu fumando demais e tudo ficando preto de novo, meus restos se acumulando nos cantos, a boca seca. i'm getting fat, taking space.
eu tento não perder muito tempo no passado e criar um momento. talvez qualquer momento seja o momento.
tudo o que eu tenho são palavras, que talvez não sejam o suficiente. eu estou aqui, mas tenho um nó gigantesco na garganta. podia dizer que perdi o controle e achei o controle e o perdi de novo. e que meus livros e cadernos vão ficar na estante e que tudo vai ficar bem.
eu não sei nem o que estou tentando dizer. qualquer coisa sobre o fundo do oceano, um beijo no meio da sua primeira xícara de café. se já foi assim um dia, pode ser de novo. tudo volta, a vida anda em círculos. um dia, todo barco volta pro mar.

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