; da saga interminável do guri

Wednesday, November 18, 2009

guri, vem cá, eu preciso ver uma coisa. eu preciso te perguntar uma coisa sem usar as palavras, mas tu vai ter que ficar quieto, senão eu não enxergo nada.
me ajuda, guri. eu acho que tô começando a surtar de verdade. eu não tô conseguindo entender mais meus sonhos. eu não consigo te tirar da cabeça. tu parece uma música ruim que não desgruda do ouvido. ah, se pelo menos tu cantasse pra mim...
eu não gosto quando as pessoas me marcam como tua. me sinto incomodada em carregar teu nome no peito pra todo mundo ver. eu tenho ciúmes. ciúmes da minha identidade. que teu nome estampado ali tá teimando em roubar.
ai, guri, eu queria te dizer alguma coisa. mas sabe, nem eu sei o que tô sentindo. nem eu consigo traduzir o que se passa na minha cabeça pro português inteligível. como eu vou fazer tu me entender assim?
tudo o que eu sei é que tem alguma coisa enorme aqui dentro e é tudo culpa sua. foi tu que embolou tudo e deixou ali no meio da minha bagunça. tu que escreveu nessa língua esquisita. e só porque foi tu que me deixou isso, eu tô me empenhando pra entender.
tô com medo de tirar uma conclusão sobre esse emaranhado que eu tenho entalado na garganta. nomear as coisas é perigoso. pode pesar nas costas das pessoas e fazer os joelhos cederem. e eu não quero despencar na tua frente. não sem ter certeza do que eu estou fazendo. e agora eu não tenho certeza de nada.
sei lá, guri. tu me faz sentir. that's already a hell of an accomplishment. o resto é conseqüência.

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