Wednesday, April 25, 2012

nunca quis tanto ter dezesseis anos de novo. eu me sinto com dezesseis. não sei o que eu quero, não sei quem eu sou e aparentemente, só erro nessa vida. eu devera estar dormindo. eu deveria estar estudando. eu deveria estar trabalhando e vivendo e nunca chego a lugar nenhum.

Sky

Sunday, March 11, 2012

she used to write about him everyday
like she knew his smile and the waves of his voice
he walked around the beach scratching stars in white sand
humming the melody she needs
the melody lost in the sky

somewhere in another planet
they felt each other looking at the same sky
she named the stars he wanted to reach
feeling incomplete
she throws a page away he changes the melody
who's gonna say it's gotta be this way?

they had an ocean between themselves
they never really met each other but what they felt was real
it just made sense for the two of them
she knows the melody she just don't know why

somewhere in another planet
they felt each other looking at the same sky
she named the stars he wanted to reach
feeling incomplete
she throws a page away he changes the melody
who's gonna say it's gotta be this way?

if only they could find their path back in the milky way
stars colliding as they touch hands
the way he smiles, the way she sounds...

somewhere in another planet
they felt each other looking at the same sky
she named the stars he wanted to reach
feeling incomplete
she throws a page away he changes the melody
who's gonna say it's gotta be this way?

; Irrelevância

Perdida. Ela se sentia completamente perdida.
Dias e noites eram um conceito que não fazia mais sentido em sua vida. Ela ficava acordada enquanto dava até uma hora o seu corpo desistir e cair na cama apagada pra dormir. Isso acontecia a cada dois ou três dias. E ela acordava para a mesma rotina logo depois, ainda cansada. Estava cansada. Esgotada de não poder fazer nada, de continuar chegando a lugar nenhum. Nada daquilo fazia sentido. Surpreendentemente, tudo estava indo de acordo com o plano inicial. Mudar pra capital, ter casa, ser independente, ter o dinheiro pra gastar, os amigos, os lugares. Ela pulava de empreguinho em empreguinho. Atendia telefones, ensinava gente simplória a falar outra língua, lidava com ser humanos estúpidos todo dia, dobrava roupas, o que quer que fosse necessário pro maldito cheque chegar no final do mês e pagar o quanto custa sobreviver numa cidade tão grande. Cidade grande, despesa grande. Mas em troca de que?
Ela ainda não entendia o que tinha dado tão errado em seu plano. A cidade estava a engolindo. Ela estava pronta pra ir embora, mas todas as coisas que seguram as pessoas normais a seguravam naquela posição miserável.
Acordar era um desgosto. Se pudesse, dormiria pra sempre. O tempo todo. O mundo do outro lado de suas pálpebras era tão mais interessante que a vida real. Ela era amarga. Amarga que nem o gosto de acordar no dia seguinte de outra noitada de álcool e cigarros demais.
Não abria mais a janela. A luz que machucava seus olhos todos os dias eram a da lâmpada fluorescente do quarto que ela nunca apagava. Ou o monitor aceso cobrando alguma coisa qualquer de alguma pessoa que nunca teve o direito de esperar nada dela.
Um dia ela teve esperança. Ela tinha planos. Ela tinha objetivos pra esses planos. Ser alguém. Se achar. Fazer alguma coisa. Relevância, a palavra grande que ela nunca encontrou em nada do que fez até então.
Mas esperança virou esperar. Uma espera que parecia não ter nenhum fim. Ela não sabia mais nem o que tanto esperava. O que tanto esperou. Não sabia se tinha chegado a algum lugar e ficado presa ou se ficou tão pra trás na vida que nem o tempo mais alcançava as mãos inquietas sem saber o que fazer.
Era exatamente desse tipo de vida que ela sempre teve mais medo. O medo de não ter histórias pra contar. As histórias do passado acabaram marcadas e sangravam um pouco toda vez que eram lembradas e o presente não trazia nada que valia a pena contar. Ela não conhecia mais ninguém. Não tinha mais o que dizer. Pouco falava. Pouco fazia. Mal existia em meio ao universo que acabou confinado em frente ao monitor de seu computador.
Já fazia tanto tempo que ela tinha esquecido o que era sentir. Sentimento, sentido, coisas que não significavam mais nada.
Quem disse que tinha que ser assim?
Se ela soubesse que era assim que as coisas iam terminar, não tinha nem tentado começar nada do começo. Essa coisa de que esse não é o final porque não está tudo bem é mentira. Nem toda história tem final feliz. Pouquíssimas chegam lá. A maioria vai enfraquecendo e se apagando até deixarem de existir. Histórias em que é difícil determinar o fim. Porque não existe nenhum gran finale. Histórias esmaecem, envelhecem que nem pessoas e sem nenhuma grande reviravolta heróica, sem nenhuma grande superação, perdem a importância e acabam perdidas no mar de rostos, palavras e seja lá do que mais é feita toda a matéria do mundo.

Tuesday, February 28, 2012

tinha verdade nos olhos aquela noite.
mas como não conseguiu falar, elas saíram pelos olhos mesmo.
escorrendo em silêncio.

Monday, February 20, 2012

I am scared. Não consigo mais sentir.
Eu quebrei o vidro e acabei toda destroçada nos cacos de novo. Te dei tudo o que tinha pra dar. Dei muito. E quando não tinha mais nada, tu me mandou passear.
A dor foi tanta que tudo amorteceu e eu não sinto nada de novo. Eu não enxergo nada. Eu não sei mais nada. Eu nunca soube. Eu nunca nem fui.
Eu só achei que era. Porque parecia que eu era algo. Felt like it.
Nunca me arrependi tanto de achar algo. Eu tinha tanta certeza de que significava alguma coisa e no final eu não sei nem se tu acha que existiu. Às vezes eu realmente acho que tu acha que eu fui só um pesadelo e que tá tudo bem agora.
Mas não tá. Não tá nada bem. Tá tudo errado, tudo sujo e destruído e eu não sei nem por onde começar. Não sei nem se vale a pena consertar. Tem coisa que depois que quebra não tem mais conserto e eu acho que eu não tenho.
Eu não sei nem começar a contar tudo o que tu levou de mim. É coisa demais pra conferir. E o pior é que tu nem levou nada contigo. Tu já tem teu próprio peso pra carregar e as coisas que tu tirou de mim foram ficando largadas pelo caminho.
É, acabou. Acabou e nem começou. Mania de chegar sempre no fim.

Friday, September 30, 2011

a maior lição dos últimos meses foi sentir. acordar.
aprendi a sentir frio, a sentir fome, a sentir saudades, a sentir ciúmes. a sentir dor.
a dor que dói. a dor que sangra. a dor de gostar. a dor de perder. a dor de matar. a dor de morrer.
meu sangue frio esquentou um pouco. amoleci.
depois de cantar coisas que nunca senti, com as palavras que eu escolhi tão cuidadosamente pra enfeitar, eu não consigo mais escrever. não dá pra cantar as coisas que são verdade. é muita exposição. é muita gente olhando ali dentro, sem disfarce, quase cutucando a ferida que ainda não fechou.
não tô pronta pra isso.
e quem sabe? talvez eu nunca vou estar mais pronta pra nada.

; i'm sending the coyote to bring you back to me

Friday, September 23, 2011

minto pra guria do greenpeace na frente da estação todos os dias. "já sou afiliada." te ajudaria a salvar o mundo se achasse que esse mundo tem salvação.
meu tempo marcado em estações. desembarque pelo lado direito do trem. pára o mundo, eu preciso descer.
contando os dias em pessoas lendo livros no trem. sempre os mesmo vagões. sempre pessoas diferentes. sempre os mesmos livros.
meu livro perdido no percurso casa-trabalho-casa-cama. um pedaço meu perdido por aí. quinze dinheiros e um membro novo. mas eu não quero nada novo, eu gosto do que tinha.
não quero novas mãos. vai dar trabalho demais ensiná-las as coisas de todo dia, all over again. aceito olhos novos, though. talvez eu enxergue coisas diferentes. talvez alguém me veja de um jeito diferente.
catando letras no teclado miúdo do celular e subindo a ladeira. todos os dias são quentes, mas todos os dias são nublados de trás dos meus óculos.

; nosso céu não tem estrelas

Thursday, September 22, 2011

tinha algo muito juvenil no jeito como ele abaixava no meio da calçada pra amarrar os tênis. você não vê homens adultos fazendo isso. homens adultos não amarram sapatos. eu nunca reparei em nenhum.
continuei caminhando atrás dele. meio passo atrás. sorrindo pra curva onde o pescoço encontra o ombro e o cabelo acaba.
nunca me senti assim tão perto de ninguém. nunca preenchi tanto silêncio com sorriso sozinha.
tem músicas que tocam na minha cabeça quando eu lembro dos momentos. meu inconsciente cria trilhas sonoras pras coisas que eu não tenho paciência de criar.
nosso céu não tem estrelas. nunca me senti tão próxima de não ter nada.
nem tão feliz com o que eu tenho.